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Presidente da Bolívia decreta estado de emergência devido a "super El Niño"
O Presidente boliviano, Rodrigo Paz, anunciou no sábado que decretou o estado de emergência na Bolívia para fazer face às secas e às inundações associadas ao "super El Niño", que está a causar estragos em todo o mundo.
A medida permitirá mobilizar mais recursos económicos e equipas de socorro nas zonas críticas.
"Realizámos um trabalho enorme para preservar o ambiente e para que o impacto do super El Niño deste ano seja o mais reduzido possível", afirmou Paz numa mensagem à nação.
A seca afeta pouco mais de 78.000 famílias em seis dos nove departamentos do país da América do Sul. Provocou também a perda de mais de 75.000 cabeças de gado, de acordo com o último relatório do Ministério da Defesa Civil, publicado esta semana.
"Este será um fenómeno que causará golpes muito duros em termos de seca e inundações, e precisamos da cooperação de todas as instituições", acrescentou Paz.
O episódio do El Niño este ano "poderá atingir uma intensidade sem precedentes, ultrapassando literalmente as escalas de monitorização" climática utilizadas "há quatro décadas", alertou esta semana a ONU.
Em países vizinhos como o Peru, o El Niño fez subir as temperaturas e favoreceu os incêndios florestais, que já custaram a vida a, pelo menos, 12 pessoas. Também contribuiu para a propagação da dengue, uma doença tropical que causou mais 81 mortes em 2026.
No Chile, foi a causa do outubro mais chuvoso de sempre registado em Santiago.
O El Niño é um fenómeno climático natural no Pacífico que se repete a cada dois a sete anos. As águas superficiais no centro e no leste do Oceano Pacífico equatorial aquecem a partir da primavera, o que provoca, nos meses seguintes, alterações significativas nos regimes de ventos, pressão e precipitação à escala mundial.